
Normalmente, quando converso com os familiares e chegamos neste momento do diálogo surge o seguinte questionamento: “Entendi, mas o que posso fazer para enfrentar isso?”. Aqui, vem um grande entrave já que “não importa qual seja a orientação dada” o familiar sempre retruca afirmando que “já tentei isso e não deu certo”, “na minha cidade não existe esse grupo”, “já fui ao CAPS e me mandaram embora” e, a mais comum, “não tenho dinheiro para isso”. Pensando nestas respostas corriqueiras apresentadas pelos codependentes, criei uma lista com 50 (cinquenta) formas iniciais para lidar com a dependência química ou alcoólica do seu familiar. Recomendo, como sugestão, que inicie com alguma delas e depois se adeque da melhor forma possível:
Apoio profissional e institucional
1. CAPS-AD – Busque o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas mais próximo.
2. Consultas com psiquiatra via SUS para avaliação de medicamentos.
3. Terapia individual com psicólogo especializado em dependência (muitos atendem a custo social).
4. Clínicas públicas ou conveniadas ao SUS para desintoxicação.
5. Ambulatórios de saúde mental em hospitais universitários.
6. Programas de reinserção social em ONGs locais.
7. Assistência Social – Verifique direitos a benefícios e auxílios.
8. Internação involuntária (Lei 10.216/2001), recomendo a leitura do texto DUPLO EFEITO IMEDIATO OU DIRETO DA INTERNAÇÃO, bem como do texto sobre INTERNAMENTO INVOLUNTÁRIO.
9. Atendimento em igrejas – Muitas oferecem acolhimento e encaminhamento.
10. Serviços de urgência (UPAs, SAMU) em crises agudas.
Grupos de apoio (presenciais e online)
11. Al-Anon – Para familiares de alcoólatras.
12. Nar-Anon – Para familiares de dependentes químicos.
13. Amor-Exigente – Grupo com abordagem de limites e autocuidado, recomendo o acesso ao material da Abstemiologia publicado em revistas do amor-exigente.
14. Codependentes Anônimos (CoDA) – Para quem desenvolveu codependência.
15. Grupos de AA ou NA abertos – Familiares podem participar em algumas reuniões.
16. Fóruns online: recomendo o acesso aos grupos do Facebook administrados pela Abstemiologia para troca de experiências.
17. Grupos em aplicativos (WhatsApp, Telegram) de apoio a familiares, a Abstemiologia também possui grupos de Whatsapp para divulgação de informação técnica gratuitamente.
18. Palestras virtuais gratuitas sobre dependência química, recomendo o acesso à página da Abstemiologia com dezenas de vídeos sobre o tema.
19. Projetos sociais em universidades (psicologia, serviço social).
20. Grupos de apoio em igrejas (Católica, Evangélica, Espírita).
Educação e autocuidado
21. Cursos de Abstemiologia: estudo da vida abstêmia, clique aqui e tenha acesso aos cursos.
22. Livros sobre dependência e alcoolismo: clique aqui e veja alguns livros disponíveis sobre o tema.
23. Documentários e vídeos: recomendo o vídeo da Abstemiologia sobre Amy Winehouse e outro sobre Kurt Cobain.
24. Aplicativos de sobriedade: recomendo a leitura do texto NOVAS FERRAMENTAS DIGITAIS NO COMBATE À DEPENDÊNCIA QUÍMICA
25. Técnicas de relaxamento (meditação, respiração profunda) para reduzir ansiedade.
26. Rotina saudável em casa – Retire gatilhos (bebidas alcoólicas, objetos associados ao vício).
27. Comunicação não violenta – Evite acusações, foque em sentimentos e necessidades.
28. Limites claros – Não financie o vício, não cubra falhas do dependente, recomento a aplicação da técnica dos combinados.
29. Diário emocional – Registre sentimentos e progressos, isso será útil no futuro, para mudança de atitude pessoal ou se houver carta de intervenção.
30. Atividade física – Caminhadas, yoga ou esportes para aliviar o estresse.
Estratégias práticas com o dependente
31. Intervenção profissional – Organizada para motivar o tratamento, pode ocorrer terapeutas, psicólogos, psiquiatras, consultores, padrinho de grupo de apoio ou abstemiologistas .
32. Cartas emocionais – Escreva como o vício afeta a família (sem culpas)
33. Vídeos de depoimentos – Mostre histórias reais de recuperação.
34. Acompanhamento em consultas – Ofereça apoio, mas não assuma a responsabilidade pelos atos dos outros, acompanhar na consulta não é falar por ele.
35. Conversas em momentos de sobriedade – Evite discussões quando ele estiver sob efeito de álcool ou drogas.
36. Incentivo a hobbies – Ajude a preencher o tempo livre com atividades saudáveis.
37. Redução de danos – Se a abstinência não for possível, busque orientação profissional. Cuidado, redução de danos não é migração de adição ou apenas reduzir consumo de droga ou álcool.
38. Rede de apoio – Converse com amigos próximos do dependente para intervenções, recomendo a formação de interlocutores de sobriedade.
39. Terapia familiar – Para resolver conflitos e melhorar a dinâmica em casa
40. Não isolar o dependente – Solidão pode piorar o vício já que pode representar sintoma de fissura ou recaída emocional.
Recursos jurídicos e financeiros
41. Ouvidoria do SUS – Reclame se houver negligência em CAPS ou hospitais.
42. Defensoria Pública – Para orientação sobre internação involuntária ou direitos.
43. Ações judiciais – Em casos de violência ou dívidas causadas pelo vício
44. Programas governamentais (ex.: Braços Abertos em SP).
45. Bolsas em clínicas particulares – Algumas oferecem descontos ou vagas sociais, recomendo o acesso aos grupos do Facebook da Abstemiologia já que existem diversas publicações indicando clínicas ou comunidades terapêuticas para acolhimento.
Para casos de emergência ou recaída
46. SAMU (192) ou UPAs – Em crises de overdose ou “síndrome de abstinência” severa.
47. Disque Denúncia – Se houver tráfico (Disque 181) ou violência doméstica (Disque 180).
48. Contato de ex-dependentes – Peça ajuda a quem já passou pela recuperação (terapia do telefone).
49. Plano de crise – Combine com profissionais o que fazer em caso de recaída.
50. Não desistir – A recuperação é um processo longo, mas possível.
Nenhuma destas estratégias funciona isoladamente de modo que combinar abordagens (por exemplo: terapia + grupos de apoio + limites claros) pode auxiliar bastante. Também recomendo que não negligencie seu próprio bem-estar. A dependência é uma doença familiar – cuidar de você também é parte essencial do processo.
Péricles Ziemmermann
Você também pode conversar comigo, Marcelo Braga, Psicólogo Clínico (CRP-05/83096), Pós-graduado em Psicologia Analítica pelo Instituo Dédalus, Especialista em Abstemiologia, psicofármacos, álcool e outras drogas de abuso pela UFF. Atendimentos presenciais e online. Será necessário agendar uma conversa. Se tiver interesse, faça o agendamento. Por último, deixo uma dica: que tal inverter o jogo? Ao deixar de ser codependente você pode se tornar coabstêmio. Pensa nisso.
WhatsApp: (21) 9 89046340